EUA: Frases bíblicas em cartazes de cheerleaders levam à batalha judicial

Cristão, superintendente de distrito escolar no Texas cria polêmica ao proibir uso de conteúdo religioso por líderes de torcida

NYT

Usando camiseta com versos bíblicos, partidários das cheerleaders do Texas comemoram decisão judicial em Kountze (18/10)

Em uma enxurrada de e-mails, telefonemas e cartas ao seu escritório, Kevin Weldon tem sido chamado de algumas das piores coisas que um homem cristão na predominantemente cristã cidade de Kountze, Texas, pode ser chamado: não cristão, e até mesmo de anticristo.

“Trabalho em escolas há muito tempo”, disse Weldon, o superintendente do distrito escolar de 1,3 mil estudantes em Kountze, ao nordeste de Houston. “As pessoas que me conhecem sabem como sou. Mesmo tendo recebido todas essas mensagens, vou ser honesto com você e isso pode soar muito irreverente, mas nem dei tanta atenção assim para tudo isso.”

Weldon, 53, está em uma posição na qual poucos superintendentes em uma pequena cidade do Texas encontram-se: a de ter tomado uma decisão sobre a expressão religiosa que o colocou em conflito com a maioria de seus alunos e de seus vizinhos, com o governador, o advogado geral e, até mesmo, de acordo com muitos, seu próprio Deus.

Depois de consultar advogados, Weldon proibiu que as líderes de torcida do distrito colocassem versículos bíblicos nos cartazes que elas levantavam durante os jogos de futebol americano, com a preocupação de que as placas eram ilegais por estarem relacionadas a uma crença religiosa. Um grupo de líderes de torcida e seus pais processaram Weldon e o distrito, levando a uma batalha legal que tem indignado e inspirado cristãos ao redor de todo o país. Na semana do dia 15 de outubro, um juiz emitiu uma liminar, impedindo o distrito de proibir os cartazes durante o resto da temporada de futebol americano, enquanto o caso prossegue para ser julgado.

Weldon, um treinador de futebol e ex-protestante, disse que apoia as líderes de torcida e sua mensagem, mas sente que deve seguir a lei. Embora ele tenha tomado uma posição que agrada a Liga Anti-Difamação e a Fundação Freedom From Religion, ele não é aliado delas. Embora sua ação tenha tido reação negativa por parte do Instituto Liberdade, um grupo jurídico cristão que representou as líderes de torcida, ele não é seu adversário. Seu posicionamento se encontra em algum lugar no meio de tudo isso.

“Ele tomou sua decisão contra o sentimento popular prevalecente, e ele tem sido criticado por isso”, disse o advogado de Weldon, Thomas P. Brandt, ao juiz na semana passada. “Ele adotou essa postura, no entanto, que não de acordo com o que ele quer para si mesmo, mas sim de acordo com a lei.”

O governador Rick Perry, o procurador-geral, Greg Abbott, e dezenas de alunos, pais e outros criticaram a proibição do distrito sobre as placas e registraram seu descontentamento e repulsa de maneiras sutis e não tão sutis. Uma placa do lado de fora da Primeira Igreja Batista citou Atos 5:29: “Temos que obedecer a Deus ao invés dos homens”. Steve Stockman, um cristão e ex-congressista que está concorrendo à reeleição na região, sugeriu que Weldon poderia perder seu emprego.

“Proibir a religião é um ataque direto a nossos princípios fundadores”, disse Stockman em um comunicado. “Este é o leste do Texas, não São Francisco. Ou o superintendente acaba com sua proibição da religião, ou é melhor ele ir embora. ”

Nem todo mundo tem sido tão radical assim. Rebeca Richardson, 17, uma líder de torcida do colegial em Kountze, disse: “Entendemos que ele está diante de uma situação complicada.”

Kountze é uma cidade antiga de 2,1 mil moradores com uma história de tolerância religiosa. No início de 1990, os moradores elegeram seu primeiro prefeito negro, Charles Bilal, que era muçulmano. Sua neta, Nahissaa Bilal, 17, cristã, está participando prestando queixas no processo.

Weldon veio para a cidade no ano passado, para liderar o distrito, que tem quatro escolas. Com seu cabelo branco, ele não se assemelhava a um ex-técnico, e sim a um ex-jogador de futebol americano, e apesar de seus críticos afirmarem que ele tenha tendências políticas mais democratas, a decoração de seu escritório parece com a de um republicano, com uma cabeça de um veado que ele mesmo caçou pendurada como enfeite.

Em um Estado onde batalhas judiciais sobre expressões públicas do cristianismo são rotineiras, o caso das líderes de torcida foi algo incomum. Em outras disputas, as autoridades locais ficaram do mesmo lado que líderes do Estado, ou assumiram posições neutras. Em 2001, após Perry ter sido criticado por curvar a cabeça e dizer “Amém” a medida que um pastor conduziu uma oração em uma escola pública do leste do Texas, o superintendente tentou ficar de fora do assunto. “Eu não vou questionar o governador”, disse na época o superintendente Jerry Mayo, à Associated Press.

Em Kountze, Weldon acabou se unindo, embora relutantemente, com o grupo ateu que primeiro reclamou dos cartazes. Muitos na cidade pensaram que ambos iriam chegar a um acordo sobre a ação judicial. As negociações foram paralisadas e o caso passou para o tribunal do condado de Hardin.

Weldon teve que depor, respondendo a perguntas sobre se ele tinha algum tipo de hostilidade em relação ao cristianismo ou a Bíblia. Ele disse no tribunal, ao ser questionado por um advogado das líderes de torcida, David Starnes, que a sua diretiva violou uma política da escola que permitia que os alunos expressassem seus pontos de vista religiosos em eventos não relacionados a graduação. E Weldon teve que assistir enquanto seu advogado interrogava duas estudantes nervosas, uma das quais era uma líder de torcida de 16 anos de idade, que chorou enquanto dava seu depoimento.

Depois, Weldon foi falar com as alunas. O réu tinha uma mensagem para elas. Ele lhes disse que estava orgulhoso delas.

Por Manny Fernandez
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