Reflexões sobre o Liberalismo de alguns pastores batistas

By direito.folha.uol.com.br

Li há poucos instantes um texto de um jovem pastor cearense que tecia elogios a um pastor conhecidíssimo em São Paulo. O discurso do paulista (“uma igreja relevante para o homem pós-moderno), longo e apresentado numa conferência que se propunha a ser “missionária” concluiu algumas coisas interessantes. Vejam video:

CMESP 2012 – Ed Rene Kivitz – Uma igreja relevante para o Homem pós-moderno  on Vimeo.

Primeiramente esse pastor disse que o “deus” em quem ele crê hoje não é aquele ao qual foi apresentado quando criança, no qual foi doutrinado e a quem buscou servir. O “deus” a quem serve hoje não é aquele de quem fez confissão no batismo e nem quando foi ordenado ao ministério pastoral batista. Diz esse pastor que, em determinado ponto de sua vida teve que “desconstruir” tudo o que aprendera sobre Deus, jogar aqueles velhos conceitos fora e firmar uma nova visão de “deus”, fundamentada em seu farto conhecimento filosófico, teológico, histórico-eclesiástico etc. Para esse pastor o “deus” a quem serve prefere que a igreja seja “mística” e não “religiosa”, “dialogal” e não “proselitista”, “diaconal” e não “evangelística”.

Algumas considerações se fazem necessárias.

Esse “pastor” não deveria ser pastor, ao menos caracterizado como um “pastor batista”. Ao que parece as respostas que forneceu em seu exame ministerial foram um blefe, uma mentira, ou, na melhor das hipóteses, “verdades temporárias abandonadas”. Ele ocupa o título de pastor batista em uma denominação cuja fé supõe-se ainda ser do tipo que ele abandonou. Por honestidade não deveria identificar-se como batista. Ele ocupa o púlpito de uma igreja fundada e formada por batistas tradicionais e a conduziu ao liberalismo, usurpando um trabalho que não lhe pertencia. Assim, esse pastor usurpa o título de pastor batista e a direção de uma igreja batista. Sim, igrejas são livres para escolher o pastor que quiserem. A igreja local pode estar feliz com sua fé, prática e obreiro. Mas deveria honestamente assumir a nova fé e encontrar um novo nome.

Esse “pastor” deixou de ter fé evangélica, pois seus valores pós-modernos são fundamentados no misticismo e não na teologia reformada. Mantém-se numa sutil linguagem ecumênica de quem se adaptou a um clube de pensadores. A igreja que pastoreia não está mais sujeita a nenhum estereótipo eclesiástico, senão às mais variadas experiências de comunidade, de discussão e de ações sociais em prol do humanismo, informações por ele prestadas (não conheço essa igreja hoje, conheci-a nos tempos em que ainda era tradicional). A “verdade” desse pastor é relativa, pois depende “de que ponto da janela se está a olhar para a verdade lá fora”. Assim, o relativismo é absoluto e tudo o que é sobrenatural é “sinistro”.

Essa é a denominação batista que queremos? Uma denominação similar a um panelão onde pululam nas chamas do ativismo todo tipo de fé? Que cristianismo é esse? Que denonimação é essa que mantém sob seu selo e sob sua influência todo tipo de perspectiva religiosa e não religiosa? Então posso ser batista sem ser crente? Posso ser batista sem ter fé ou compromissos assumidos no batismo? Posso ser batista e não crer em declaração doutrinária? Posso ser batista e não pregar a fé cristã bíblica e reformada? Onde está o juízo de valores e a disciplina? Para esses não existe, uma vez que seus nomes e igrejas atraem multidões, mídia, poder político e ofertas…

E a Ordem de Pastores, que ostenta jactanciosamente mais de uma dezena de milhar em número de filiados? Que tipo de pastores une e agrega? Qualquer tipo? Congrega até aqueles que ludibriaram os concílios e seguem qualquer fé? Um cristo místico em lugar do Cristo bíblico? Um Deus dialogal ao invés do Deus revelado? Um cristianismo de verdades relativas e pós-modernas ao invés de uma experiência de conversão legítima ao Senhor Jesus Cristo? Não há juízo de valores contra o liberalismo teológico?

Esse liberalismo apodrece a cada dia a beleza da denominação batista. Igrejas independentes, autônomas, anteriormente unidas por órgãos cooperativos e de comunhão de fé, que exercia juízo de valor e exigia compromisso doutrinário. Hoje essa fé enfraqueceu, pois não há juízo de valores na administração e na mantença de pastores ou de igrejas. O tempo “medieval” da fé (segundo esse “pastor”), onde se confrontava a prática com a Bíblia, já passou. Voltamos à pós-modernidade nada moderna, a que existiu em Israel no tempo dos juízes: cada um fazia o que julgava mais certo. E assim a apostasia pavimenta o seu caminho. Hoje o asfalto alisa e fortalece a estrada. Em breve será uma rodovia toda iluminada. E na seqüência daremos guarida ao anticristo, encarnação de tudo o que hoje se chama “dialogal”, “diaconal” e “místico”, um cristo qualquer-coisa, unificador naquilo que de mais baixo existe no seio das igrejas, uma igreja sem Cristo.

Como disse esse “pastor” , “essa é a minha opinião”. Sim. Ele teve direito da opinião emitida em evento público. Eu também tenho. E a minha opinião é que pessoas que crêem dessa forma são inconversas, ou, no mínimo, desviados da integridade e da simplicidade da Palavra de Deus. Também creio que uma denominação que mantém teólogos dessa prédica em suas instituições de ensino é irresponsável e envenena sua via arterial teológica; a colheita está chegando… E uma ordem de pastores que tem como filiados obreiros híbridos, de qualquer matiz e com qualquer tendência teológica, deixou de ser ordem para ser desordem. Devemos ser tolerantes? É assim que aprendemos na Palavra de Deus? Ah, perdoem-me! Devemos ser intolerantes sim, mas com os batistas clássicos, que não param de protestar.

Enquanto a política interna for mais importante que o juízo de valor bíblico de nossas ações, de nossos púlpitos ou de nossas igrejas, continuaremos a ver dia após dia o desastre completo, absoluto, irrecuperável de nossa denominação batista principal.

Voltemos às Escrituras Sagradas, voltemos às origens evangélicas, protestantes e, especificamente no caso de batistas, às nossas doutrinas, princípios, valores distintivos da Fé!

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuiba, São Paulo, Brasil
OPBCB 001 – pres. da Ordem dos Pastores Batistas Clássicos do Brasil
[email protected]
www.uniaonet.com/bnovas.htm

Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel
Rua Urano, 99 – Novo Horizonte
06341-480 – Carapicuíba – SP
São Paulo – Brasil
Cultos aos domingos às 9:30 e 18:30 hs.
Escola Bíblica Dominical às 10:30 hs.
Quartas-feiras às 20 horas
www.uniaonet.com/bnovas.htm
[email protected]

4 Responses to Reflexões sobre o Liberalismo de alguns pastores batistas

  1. jose mauro pereira disse:

    estou de pleno acordo com seu comentário,perdemos os nossos valores eclesiástico cristo deixou de ser o centro das atenções e os nossos cultos estão sendo banalizados isto é as pessoas querem ouvir algo que satisfaz .estou para me formar em bacharel em teologia e o meu tcc é justamente a igreja na pós modernidade esse assunto é muito polemico confesso que estou até com uma certa dificuldade mas não pretendo mudar de assunto pois essa pós modernidade tem me incomodado.um abraço que DEUS continue te abençoando.

  2. J. Alves disse:

    Graça e paz,

    Querido irmão, procure analisar melhor a mensagem do referido pastor. Não o vejo como herege ou liberal. Procure ouvir a mensagem novamente, com toda atenção e pensar no contexto evangélico atual e o contexto “sociedade” em que a igreja está inserida.um abraço.

    Naquele que sempre nos fortalece.

    ATT
    J.Alves

    • meri disse:

      concordo.
      quando ouvimos uma mensagem com o raciocínio e com preconceito, sempre vamos achar distorções. necessário ouvir novamente esse sermão.creio que a opinião será modificada.

  3. Severnomanoeldesouza disse:

    Concordo plenamente hoje há muito liberalismo na casa do senhor Jesus agora eu gostaria de saber onde está a ordem é decência onde ende misericórdia

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